Estaria a mentir se te dissesse que sou de ferro, que em todas as tuas batalhas me podes usar como escudo. Estaria a mentir se dissesse que isto de que sou feita não se parte, não se molde, não se muda. Que aguentaria mil e uma guerras só por serem tuas. Estaria a mentir se dissesse que não preciso de um beijo, um abraço ou mesmo de colo e tudo isto em doses grandes. Estaria a mentir se te dissesse que o excesso é suficiente e que se um dia foi de menos, hoje é de mais. Estaria a mentir-te se dissesse que isto do amor não dá voltas e voltas e acaba no mesmo sítio, naquele onde nos encontrámos pela primeira vez dispostos a amar cada pedaço nosso desencontrado do seu sítio original. E estaria a mentir-te se dissesse que não tenho medo. Meu amor, neste momento medo é tudo o que sou e ainda que pequena, fez-se grande.
Confiei-me cegamente a ti e parti, partiste-me. E apesar de ser amor, ou eu achar que foi, duvidei.
E se algum dia me jurassem que isto ia acontecer, eu chamava-os de loucos. Eu conhecia-te, melhor do que ninguém, melhor que tu próprio e ai de alguém que insinuasse algo impossível de ser verdade. No entanto, dei por mim numa situação completamente desconhecida e acima de tudo, inesperada. Estaria a mentir se te dissesse que naquele momento não quis desistir. Se quis... naquele momento salvar o que restava de mim era a prioridade perante todo o caos que nos rodeava mesmo que isso implicasse deixar tudo o que fomos para trás, nos teus braços para nunca te esqueceres. Naquele momento eu não queria saber de palavras ou gestos ou sequer da minha dor ou raiva, estava completamente vidrada naquele abalo, naquele choque. E ainda assim, estaria a mentir-te se dissesse que o meu amor por ti não foi tão grande ou maior do que o meu por mim. Que se voltasse atrás, não iria perdoar tudo novamente só para te ter nos meus braços de novo.
Perante isto, o meu coração está ao rubro e a minha cabeça um caos. Dói-me pensar na possibilidade de não te ter e muitas vezes chega a doer, ter-te. Mas no fundo eu sei que há amor e é esse amor que nos faz lutar todos os dias um pelo outro mesmo existindo também lágrimas e outras tantas coisas. Mas estaria a mentir-te se dissesse que já confio em ti. Não confio. E perguntas-me como fiquei? Porque acredito no teu amor. Neste caso arrisco-me a dizer que uma coisa não tem nada a ver com a outra.
Acabo a dizer-te que estaria a mentir se te dissesse que parte de mim já não é tua por tudo o que passámos. Eu esperava que sim, eu desejei que sim. Já não somos o que éramos meu amor, mas seremos sempre nós.
