4.9.18

He's gone

E eu tenho palavras soltas e juntas, frases com e sem sentido, parágrafos e textos na minha cabeça mas nenhum parece ser suficiente para explicar como me destruíste. Não há metáforas para um coração partido que façam justiça a cada pedaço perdido.
As lágrimas teimam em sair e eu deixo. Deixo que elas me escorram pela cara, seguindo o percurso do meu pescoço até que me chegam ao peito... onde mora outra coisa que chora e queima, doí e arde. E a cada coração partido, o peito aperta e o coração diminui. Como o nosso amor... Que se apertou e se diminuiu, escorreu como liquido pelos nossos corpos até desaparecer por completo nas gotas que restavam no chão. Escorreu-me por entre os dedos da mão enquanto eu o via a ir embora. Nunca foi sólido o suficiente para ficar.


Zayla, 2015
O pior momento é quando o coração parte. Quando ouvimos pedacinho por pedacinho a cair. Quando sentimos a partir ou quando deixamos de sentir. O pior momento são todos os dias daí em diante, é quando perdemos a mesma pessoa vezes e vezes sem conta a cada nascer do sol. Quando não sabemos o que é pior, se os pesadelos onde elas nos deixam ou os sonhos onde nos agarram. Quando acordamos e percebemos que não foi nada, que não é pior do que é ou melhor do que foi e no entanto, foi tudo. O pior momento é ainda sentir o beijo nos lábios, o toque na cintura e o abraço nos braços. É o ecoar da voz nos ouvidos e o ter de dizer o nome dele, vezes e vezes sem conta, é o arder das cordas vocais a cada explicação que tentamos dar por não ter resultado. "Não resultou, é porque não era para ser" dizemos nós. Mas e se era para ser? Mas e se nós formos os únicos culpados por não ter resultado? Por termos feitos escolhas. Escolhas que achamos serem erros mas que foram apenas opções com consequências e não é por isso que deixam de ser acertadas.
Não... na verdade, o pior momento é perceber que não fomos o suficiente para ele ficar.

Depois existe tudo... tudo o que sobrou de nós, tudo o que deixaste ficar para trás partido. Tudo o que queríamos ter dito e no entanto engolimos palavra por palavra. Há o choro que tentamos conter, mas que grita para sair pelos olhos, a dor que teima em sair pelo corpo que rasga. Chegamos mesmo a conseguir ouvir o rasgar de cada pedaço nosso porque o que não foi nosso já não cabe mais no espaço onde o guardamos. Depois há a história que não fica guardada nos livros, somente na memória. Memória rígida que pertence a uma pessoa tão frágil que já só quer esquecer. Mas nós não esquecemos, não nos deixam esquecer. Escrevem nas paredes da rua, cantam nas letras das músicas, sussurram nos filmes, lêem nos livros qualquer coisa sobre ele. Tudo nos remete para ele.



E ele lá vai... já foi... e tu ficaste aqui mesmo, neste texto onde te revês e cada pedaço teu partido chora, chora porque ele lá vai. Já foi.
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