As lágrimas teimam em sair e eu deixo. Deixo que elas me escorram pela cara, seguindo o percurso do meu pescoço até que me chegam ao peito... onde mora outra coisa que chora e queima, doí e arde. E a cada coração partido, o peito aperta e o coração diminui. Como o nosso amor... Que se apertou e se diminuiu, escorreu como liquido pelos nossos corpos até desaparecer por completo nas gotas que restavam no chão. Escorreu-me por entre os dedos da mão enquanto eu o via a ir embora. Nunca foi sólido o suficiente para ficar.
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| Zayla, 2015 |
Não... na verdade, o pior momento é perceber que não fomos o suficiente para ele ficar.
Depois existe tudo... tudo o que sobrou de nós, tudo o que deixaste ficar para trás partido. Tudo o que queríamos ter dito e no entanto engolimos palavra por palavra. Há o choro que tentamos conter, mas que grita para sair pelos olhos, a dor que teima em sair pelo corpo que rasga. Chegamos mesmo a conseguir ouvir o rasgar de cada pedaço nosso porque o que não foi nosso já não cabe mais no espaço onde o guardamos. Depois há a história que não fica guardada nos livros, somente na memória. Memória rígida que pertence a uma pessoa tão frágil que já só quer esquecer. Mas nós não esquecemos, não nos deixam esquecer. Escrevem nas paredes da rua, cantam nas letras das músicas, sussurram nos filmes, lêem nos livros qualquer coisa sobre ele. Tudo nos remete para ele.
E ele lá vai... já foi... e tu ficaste aqui mesmo, neste texto onde te revês e cada pedaço teu partido chora, chora porque ele lá vai. Já foi.


