Aquela família que eu invejava e a queria para mim não existia. A aparência era majestosa mas o seu interior era um caos.
Até que ponto a aparência ilude? Até as pessoas não conseguirem manter-se em silêncio e suportar todas as injustiças? Qual das duas dores é pior numa família em que um dos membros é facilmente manipulado e "quase" sociopata, a dor física no passado e no presente ou os rastos de dor psicológica que certamente iram atrapalhar o futuro?
Facilmente poderei dizer que se usam uns aos outros como armas, prontas para atingir qualquer inimigo que possa gostar de guerras, ou seja, o soldado gosta da pólvora até esta o perfurar sem piedade alguma e poderá isso durar para sempre? Será que alguma vez termina a dor? é necessário o soldado morrer daquilo que gosta?
Nas famílias acontece de forma diferente. Sempre arranjamos maneira de perdoar os entes queridos mesmo que não exista perdão. Tentamos fingir que as dores sentidas valem a pena e são menores que as alegrias causadas, mas será essa a verdadeira razão?
Todas as famílias discutem, esse não é de todo o ponto da questão, mas não haverá um limite para cada som emitido, cada gesto cometido? Não existirão
leis - não regras - numa família? e se quem pune é a mesma pessoa que infringe a lei? o que fazer quando não existe tribunal para condenar os erros? Sai-se à rua e sorri-se? Finge-se ser uma família que irá viver feliz para sempre? ou acaba-se o sofrimento e deixa-se de ter um apoio familiar e começar a ser independente de erros, apoio e dinheiro?
Uma família não é unida por sangue, é unida por laços que, de vez em quando, viram nós sufocáveis.